Se você já passou tempo suficiente navegando nas redes sociais ou conversando com amigos sobre música, provavelmente já ouviu a frase: “Hoje em dia, não tem mais música boa”. É um comentário que, por mais comum que seja, revela uma visão limitada e, muitas vezes, preconceituosa sobre a produção musical contemporânea.
A Generalização Perigosa
É fácil cair na armadilha de generalizar. Quando a música que domina as paradas não nos agrada, tendemos a descartar todo o restante como “ruim”. Essa postura, porém, ignora a vasta diversidade de artistas e gêneros musicais que coexistem no cenário atual. Sim, é verdade que o mainstream pode não agradar a todos. Artistas como Anitta são frequentemente alvo de críticas, especialmente por aqueles que não se identificam com o funk ou o pop brasileiro. Mas será que isso significa que não há mais nada de bom sendo produzido?
O Problema Não Está na Música, Mas no Filtro
A verdade é que a música boa continua existindo – e em abundância! O problema não está na produção musical, mas no filtro que as pessoas utilizam para acessar novas músicas. Há quem prefira reclamar do que investigar.
Quantas vezes você já sugeriu um artista de um gênero diferente, como Thayná Janaína, que traz a suavidade e a profundidade da MPB, ou Andrack, que entrega o peso e a energia do rock, e a resposta foi um simples desinteresse? Inclusive, comumente as pessoas vem falar mal da Anitta comigo, mas raramente aceitam as recomendação desses artistas de gêneros musicais distintos.
E isto falando-se especificamente sobre música nacional, pois infelizmente há muitas notícias de boas bandas de visual kei que se encerram – inclusive por falta de público. Ninguém vai aos shows das bandas ou, minimamente, acompanham suas mídias sociais e canais no YouTube – que é algo completamente gratuito.
Um Mar de Opções Não Explorado
No Brasil, a riqueza musical é imensa. Temos gêneros para todos os gostos e humor. O que falta, muitas vezes, é curiosidade e disposição para explorar essas opções. Enquanto uns insistem em criticar o que está no topo das paradas, ignoram o fato de que plataformas como o YouTube, Spotify, e até o Bandcamp, estão cheias de artistas incríveis, produzindo trabalhos inovadores e emocionantes.
Já quer conferir alguns grandes ícones da música nacional? A música popular brasileira (MPB) e o rock brasileiro são ricos em talentos femininos que deixaram marcas profundas na cultura musical do país. No MPB, nomes como Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia são ícones indiscutíveis, cada uma trazendo uma voz única e uma interpretação intensa que ecoam até hoje. Elas pavimentaram o caminho para novas gerações, como Marisa Monte e Vanessa da Mata, que continuam a explorar e redefinir o gênero.
No rock, Rita Lee é uma lenda absoluta, pioneira e rebelde, que abriu portas para outras mulheres, como Pitty, cuja força e autenticidade ressoam em cada acorde, e a jovem Ana Cañas, que mistura o rock com influências de MPB, trazendo uma perspectiva fresca e poderosa. Essas artistas não apenas representam o melhor da música brasileira, mas também desafiam normas e inspiram legiões de fãs.
E na música japonesa?
Como aqui é um blog de música japonesa, então trarei um pouco sobre um dos meus gêneros favoritos: O Visual Kei, um movimento que combina música e estética extravagante, tem suas raízes no Japão dos anos 1980, com bandas como X Japan liderando o movimento. Eles ajudaram a definir o estilo, caracterizado por roupas elaboradas e performances teatrais.
O estilo se diversificou ao longo das décadas, com artistas como Malice Mizer, que incorporava elementos de gótico e música clássica, e Dir en grey, que trouxe uma sonoridade mais pesada e agressiva. Nos anos 2000, o movimento continuou a evoluir com bandas como The Gazette e Versailles, que mesclaram diferentes subgêneros e influências, mantendo viva a essência teatral e inovadora do Visual Kei. Aliás, mais atual e melhor do que The Gazette e Versailles é extremamente difícil, hein?
Oportunidade Perdida
A resistência em sair da zona de conforto é, em última análise, uma oportunidade perdida. Reclamar da música atual sem buscar alternativas é como reclamar de um prato que você não gosta em um buffet gigante: há tantas opções, e é uma escolha pessoal se limitar ao que não agrada.
Conclusão
Ao invés de reforçar a ideia de que “não existe música boa atualmente”, que tal expandir nossos horizontes e dar uma chance ao novo, ao diferente? A beleza da música está justamente em sua diversidade, e ignorar isso é perder uma parte significativa do que a arte tem a oferecer. Então, na próxima vez que você ouvir alguém reclamando, que tal sugerir uma playlist com Thayná Janaína ou Andrack? Você pode surpreender e, quem sabe, até converter um cético em um novo fã.
