Mana-Sama: A Jornada Musical do Guitarrista Japonês

Mana-Sama: A Jornada Musical do Guitarrista Japonês

Mana, um artista multifacetado do Japão, é conhecido por sua versatilidade como músico, compositor, produtor, estilista e modelo. Ganhou destaque como líder e guitarrista da banda Malice Mizer, assim como por seu projeto solo, Moi dix Mois. Além disso, desempenhou um papel significativo ao popularizar o movimento Lolita no Japão.

Mana é reconhecido pela diversidade de sua obra, indo desde músicas pop criadas para o Malice Mizer e a vocalista e violoncelista Kanon Wakeshima, até composições intensas e poderosas de metal em seu projeto solo Moi dix Mois. Sua colaboração com a ESP na produção de suas guitarras também é notável.

O artista é frequentemente elogiado por sua singularidade, tanto no campo da música quanto na moda. Sua marca, Moi-même-Moitié, é considerada uma das mais prestigiadas no cenário da moda Lolita no Japão.

Além de suas realizações artísticas, Mana é envolto em mistério. Notavelmente, ele opta por não falar em público, utilizando membros de suas bandas para se expressar em entrevistas ou shows, como Seth e K (até sua morte) no Moi dix Mois, justificando essa escolha ao afirmar que se comunica “através da música”.

Malice Mizer

Malice Mizer, cujo nome é estilizado como MALICE MIZER, emerge como uma influente banda de rock japonês inserida no movimento visual kei, mantendo uma presença ativa no cenário musical de 1992 a 2001. Fundada por Mana e Közi, a banda experimentou uma evolução sonora ao longo de sua trajetória. Nos primeiros anos, sua música exibia uma sonoridade clássica e pop, mas, em seus momentos finais, afastou-se do romantismo francês para incorporar elementos gótico-vitorianos, influenciados por tragédias que impactaram profundamente o grupo.

O renome de Malice Mizer não se restringe apenas à sua produção musical, estendendo-se também às suas performances ao vivo. Caracterizadas por luxuosos figurinos históricos, cenários elaborados, peças curtas de teatro mudo precedendo diversas canções, coreografias extravagantes e até mesmo a criação de um palco que reproduzia, em dimensões reais, uma catedral para complementar um álbum específico, as apresentações da banda eram verdadeiros espetáculos visuais.

Ao longo de sua história, Malice Mizer passou por diversas mudanças de formação e três notáveis transformações de imagem. Durante seu auge, alcançou o status de um dos “quatro reis celestiais do visual kei”, compartilhando esse prestígio com Shazna, La’cryma Christi e Fanatic Crisis. Merveilles, o álbum mais vendido da banda, conquistou reconhecimento ao ser considerado um dos melhores entre 1989 e 1998 pela revista Band Yarouze, solidificando ainda mais a posição única e impactante do grupo na cena musical japonesa.

Moi Dix Mois

Moi Dix Mois
© Midi:Nette

Em uma significativa reviravolta no cenário musical, exatamente no dia 19 de março de 2002, data marcada pelo aniversário de Mana, o guitarrista anunciou oficialmente o nascimento de seu novo projeto solo, intitulado Moi dix Mois. Este empreendimento artístico ganhou vida após a pausa indefinida da sua anterior e aclamada banda, Malice Mizer.

Moi dix Mois, diferentemente de muitos projetos musicais, é singular por ter apenas um integrante oficial e permanente: o próprio líder, Mana. Este talentoso músico não apenas personifica a face do projeto, mas também desempenha o papel crucial de produtor, dando vida às suas composições desde a concepção até a materialização final. Vale ressaltar que a formação de membros suporte na atualidade difere da configuração original do projeto.

Em relação ao estilo musical, Moi dix Mois se destaca pela ausência de uma definição clara. Mana, mestre de suas próprias criações, utiliza uma abordagem única ao combinar opostos na composição de suas músicas. A dualidade entre beleza e escuridão, elegância e agressividade, criatividade e destruição é habilmente explorada para expressar não apenas a musicalidade, mas também a personalidade, ideias e visão de mundo do artista.

Cada nota e arranjo musical concebido por Mana no âmbito do Moi dix Mois serve como um veículo para transmitir sua singular perspectiva artística, proporcionando aos ouvintes uma experiência que transcende os limites convencionais da música e incorpora elementos de sua visão intrínseca sobre o universo. Assim, o projeto solo de Mana não apenas preenche uma lacuna deixada pela pausa do Malice Mizer, mas também marca uma jornada musical única e autêntica.

Moi-même-Moitié

Inaugurada em 1999, a Moi-même-Moitié surgiu como o meio pelo qual Mana encontrou expressão para suas afinidades na moda Gothic Lolita, um movimento já estabelecido no Japão desde a década de 1980. A grife, cujo nome carrega um significado ególatra, traduzido como “Minha Mesma Metade”, destaca-se por ter apenas dois estilistas: o próprio Mana e Alice Kobayashi.

Sob o lema “Elegant Gothic Lolita Aristocrat Vampire Romance”, Mana concebeu uma visão singular, redefinindo estilos já existentes e dando origem ao Elegant Gothic Lolita e ao Elegant Gothic Aristocrat. Ao fazer isso, ele moldou uma estética que não apenas refletia suas inclinações pessoais, mas também se tornou uma manifestação distinta dentro do universo da moda.

No cenário internacional, a Moi-même-Moitié alcançou proeminência, exportando suas peças através do site CD Japan, que oferece uma variedade de acessórios, como bolsas, joias, luvas, entre outros, além de roupas que encapsulam a essência única da grife. Além disso, uma loja na França, chamada “Harajuku”, tornou-se um ponto de referência para entusiastas da moda, oferecendo uma seleção cuidadosamente curada de peças de diversas grifes japonesas, incluindo a prestigiada Moi-même-Moitié.

A marca continua a evoluir e a influenciar a cena da moda, mantendo-se como um ícone do estilo gótico Lolita, enquanto cativa admiradores ao redor do mundo. A união de criatividade entre Mana e Alice Kobayashi proporciona uma fusão única de elegância e obscuridade, criando um legado duradouro que transcende as fronteiras da moda japonesa.

Produtor musical

Com uma formação acadêmica em engenharia musical, Mana dedicou considerável tempo à busca por outras bandas para colaborar com o Moi dix Mois. Seu primeiro encontro promissor ocorreu com a dupla eletro Schwarz Stein, cuja atenção foi capturada por um artigo de revista em 2002. Ao observar uma foto da dupla, ele percebeu algo singular e, movido pela curiosidade, solicitou que enviassem uma fita demo. A música apresentada, notavelmente digital e desprovida de instrumentos acústicos, diferia substancialmente da sonoridade do Moi dix Mois. Apesar dessa diferença, Mana ficou impressionado com o que ouviu e decidiu testemunhar pessoalmente um de seus shows, seguido por uma visita aos bastidores. Após assistir a várias apresentações, Mana ofereceu à Schwarz Stein um contrato com a gravadora Midi:Nette, e assim, começou uma colaboração frutífera.

Sob a tutela de Mana, a Schwarz Stein prosperou até 2004, quando tanto o vocalista Kaya quanto o compositor e tecladista Hora decidiram seguir carreiras solo. Ao longo desse período, Mana desempenhou um papel fundamental como produtor, contribuindo para a criação de um álbum e dois singles para a dupla. Após o término da parceria formal, Kaya manteve uma amizade com Mana e continuou a frequentar os shows do Moi dix Mois. Em uma entrevista à revista JamE, Kaya compartilhou insights sobre a dinâmica de trabalho com o guitarrista, descrevendo seu papel como produtor mais como um conselheiro. Ele enfatizou que, por meio dessa colaboração, aprendeu a apreciar a beleza inerente aos seus próprios trabalhos.

No ano de 2007, um convite incomum surgiu na trajetória de Mana, quando um membro da renomada gravadora major Sony Music Entertainment Japan o convidou para assistir a uma audição de jovens músicos, visando a possibilidade de produzir um talento emergente. Entre os finalistas, Mana escolheu a notável cantora e violoncelista clássica de 19 anos, Kanon Wakeshima. O que mais o intrigou foi a habilidade única de Kanon em cantar enquanto tocava violoncelo. Assim, Mana aceitou o desafio de ser seu produtor e principal compositor.

Adotando um estilo pop eletrônico com nuances góticas e clássicas, Mana imergiu-se na criação de treze músicas para o álbum de estreia de Kanon, intitulado “Shinshoku Dolce”, lançado em fevereiro de 2009 no Japão, Europa e Estados Unidos. Os singles “Still Doll” e “Suna no Oshiro” ganharam destaque como encerramentos do popular anime “Vampire Knight”. Além de sua contribuição musical, Mana assumiu a responsabilidade pela imagem de Kanon, escolhendo um visual lolita clássico que refletia sua paixão por doces e pela cor vermelha, alinhado ao conceito do álbum e aos vídeos promocionais dos singles. Curiosamente, Mana adquiriu até mesmo o carrossel que adorna a capa do álbum de estreia de Kanon.

Em fevereiro de 2009, Mana acompanhou Kanon até a França, não apenas para promover “Shinshoku Dolce”, mas também para apresentar o lançamento europeu do DVD do Moi dix Mois, registrando a recente turnê pela Europa. Nesse contexto internacional, Mana expôs a artista ao seu público global.

Esse projeto marcou a primeira vez em que Mana foi responsável por todos os aspectos, desde a criação musical até os arranjos e o visual, representando uma experiência de aprendizado enriquecedora. Apesar de seu envolvimento profundo, Mana percebeu a necessidade de recuar um pouco em sua produção para dedicar tempo à sua própria banda. No entanto, manteve-se como o principal compositor de Kanon, escrevendo seis das treze músicas para seu segundo álbum, “Shojo Jikakeno Libretto – Lolitawork Libretto”, lançado em julho de 2010. O álbum incluiu a faixa “Toumei no Kagi”, tema do jogo online “AVALON no Kagi”, e “LOLITAWORK LIBRETTO -Storytelling by solita-“, uma colaboração com a jovem cantora francesa Solita. Assim como o álbum anterior, este também teve lançamento no Japão, Europa e EUA, solidificando ainda mais a presença artística de Mana além das fronteiras geográficas.

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