Se você curte cinema clássico e adora um bom enigma, Rashomon (1950), dirigido por Akira Kurosawa, é uma experiência que você não pode perder. Disponível no streaming Belas Artes A La Carte, o filme é um verdadeiro marco da história do cinema, não só pela direção de Kurosawa, mas também pela forma inovadora de contar a história.
A trama gira em torno de um crime: o assassinato de um samurai e o abuso de sua esposa, ocorrido em uma floresta. O grande diferencial de Rashomon é que, em vez de seguir uma narrativa linear tradicional, o filme nos apresenta várias versões do mesmo evento. Cada uma das partes envolvidas no incidente, ou seja, o bandido, a esposa do samurai, o samurai morto (através de uma médium) e um lenhador que também testemunhou os acontecimentos, oferece uma versão diferente dos fatos, cada uma com suas próprias motivações e interpretações. Isso gera um jogo de perspectivas e questionamentos sobre a verdade, a moralidade e a natureza humana.
O que torna Rashomon tão fascinante é justamente o mistério que ele constrói. Em vez de uma solução clara, o filme mergulha na complexidade das percepções individuais, trazendo à tona a ideia de que a verdade pode ser múltipla e subjetiva. É um daqueles filmes que deixa o espectador refletindo longamente sobre o que realmente aconteceu e, mais importante, sobre como lidamos com a verdade e a mentira no nosso cotidiano.
Além da trama instigante, Kurosawa se destaca pela direção, utilizando a natureza da floresta como um cenário imersivo que reforça o clima de incerteza e mistério. A fotografia é outro ponto alto do filme, com cenas memoráveis que capturam a beleza e a tensão da narrativa de maneira única.
Se você ainda não viu Rashomon, esse é o momento. Não é apenas um filme, mas uma aula de como a cinematografia pode explorar a complexidade humana. Vale muito a pena conferir e refletir sobre o que está por trás de cada ponto de vista e sobre como essa história ainda ressoa no cinema contemporâneo.
