Resenha: Serial Experiments Lain (1998), anime psicológico sobre identidade e tecnologia

Serial Experiments Lain é um anime lançado em 1998, dirigido por Ryutaro Nakamura e roteirizado por Chiaki J. Konaka, produzido pelo estúdio Triangle Staff, surgindo em um contexto de expansão da internet e de debates sobre virtualidade e identidade digital no final do século XX, a obra acompanha Lain Iwakura, uma garota introvertida que vive uma vida comum até receber um e-mail de uma colega que havia cometido suicídio, a partir disso ela passa a se envolver cada vez mais com a Wired, uma rede virtual que se assemelha à internet, onde as fronteiras entre o mundo físico e o digital começam a se dissolver, colocando em dúvida o que é real, o que é construído e até mesmo quem ela é realmente dentro desse processo.

Ao longo dos episódios, o anime constrói uma narrativa fragmentada e muitas vezes confusa de propósito, explorando temas como consciência, existência, tecnologia, deus, memória e a própria noção de identidade, Lain passa por transformações constantes, assumindo diferentes comportamentos e versões de si mesma dentro e fora da Wired, enquanto eventos estranhos acontecem ao seu redor, incluindo conspirações envolvendo empresas, cientistas e entidades que parecem manipular a realidade, o espectador é levado a montar o quebra-cabeça aos poucos, sem explicações diretas, sendo obrigado a interpretar símbolos, diálogos curtos e cenas desconexas, o que faz com que a experiência seja mais reflexiva do que linear, exigindo atenção e disposição para lidar com o desconforto e a incerteza.

Serial Experiments Lain se destaca por sua proposta ousada e pela forma como antecipou discussões que hoje são comuns, especialmente sobre a influência da internet na construção da identidade e na percepção da realidade, é meu anime favorito ever, foi o que me fez começar a estudar programação e trabalhar com isso hoje em dia, é um anime bem interessante e, pra época, ele já discutia temas sobre a nossa relação com a internet que hoje são ainda mais fortes com as redes sociais, como o isolamento social mesmo em um mundo hiperconectado, a perda da própria identidade e o domínio da internet nas nossas vidas, o problema é que por ter uma pegada avant-garde, com uma narrativa nada convencional, você fica coçando a cabeça metade do tempo e demora muito até as coisas começarem a fazer sentido, ainda assim, é uma obra que marca profundamente e que permanece atual mesmo depois de tantos anos.

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