Resenha: Akame ga Kill (2014), anime de ação e tragédia do estúdio White Fox

Akame ga Kill é um anime lançado em 2014, pelo estúdio White Fox, baseado no mangá escrito por Takahiro e ilustrado por Tetsuya Tashiro, obra que ficou muito conhecida por sua violência, pelo tom trágico e pela maneira como quebra expectativas comuns dos animes shounen. A história acontece em um império marcado pela corrupção, desigualdade social e exploração da população, acompanhando Tatsumi, um jovem que sai de sua vila tentando conseguir dinheiro para ajudar sua comunidade, mas acaba entrando para a Night Raid, um grupo revolucionário responsável por assassinar figuras importantes do governo. Entre os integrantes está Akame, uma assassina extremamente habilidosa e silenciosa que rapidamente se torna uma das personagens mais marcantes da obra. Apesar da aparência fria e séria, ela carrega muitos traumas por ter sido criada desde criança como arma do império, algo que influencia diretamente sua personalidade e suas decisões ao longo da narrativa. Desde os primeiros episódios o anime deixa claro que não existe segurança para nenhum personagem e que aquele mundo funciona de maneira cruel e imprevisível, criando uma atmosfera pesada que acompanha praticamente toda a obra.

Ao longo da narrativa, Akame ga Kill desenvolve vários personagens de maneira intensa, mostrando histórias marcadas por sofrimento, perdas e conflitos internos, o que cria uma conexão emocional muito forte com o público. A obra tenta trabalhar uma certa ambiguidade moral entre revolucionários e soldados do império, mas rapidamente acaba ficando evidente quem ocupa o papel de “lado bom” e “lado ruim”, principalmente através de personagens como Honest, que apesar de possuir alguns momentos engraçados, acaba sendo um vilão bastante exagerado e padrão. Mesmo assim, algumas relações entre os personagens funcionam muito bem, como Tatsumi e Wave, que praticamente representam lados opostos da mesma realidade, além da relação entre Akame e Leone, que transmite um forte sentimento de companheirismo. Também gostei bastante de obras derivadas como Akame ga Kill Zero e Hinowa ga Yuku, principalmente porque conseguem explorar personagens mais neutros e conflitos políticos de maneira mais interessante. Outro ponto que chama atenção é a brutalidade da obra, já que mortes importantes acontecem constantemente e sem aviso, aumentando muito o impacto emocional da narrativa e a sensação de insegurança durante toda a história.

O estilo de arte é realmente deslumbrante, todos os personagens possuem designs muito marcantes e personalidades que fazem o público criar apego rapidamente, além das Teigu, armas especiais extremamente poderosas que deixam os combates visualmente memoráveis. A construção do mundo também consegue ser imersiva, principalmente pelas referências a outros territórios e pela história envolvendo a criação das Teigu, mas ao mesmo tempo existem várias inconsistências no universo apresentado, principalmente em relação ao desenvolvimento tecnológico do império, já que vemos motores, armas de fogo e experimentos científicos avançados, mas quase não existem veículos, infraestrutura ou sistemas militares mais modernos espalhados pelo mundo. Algumas decisões envolvendo certos personagens também parecem apressadas, como a mudança de postura de Kurome em relação ao império e à própria irmã, algo que poderia ter sido desenvolvido de forma mais convincente. Mesmo assim, Akame ga Kill continua sendo uma das obras mais intensas e emocionantes que já li. Não estou tão ansioso para reler porque é uma história realmente perturbadora e que me causou muitos traumas emocionais, mas ainda assim o final me deixou completamente sem palavras e dificilmente vou sentir novamente o mesmo tipo de emoção que senti acompanhando essa obra, então definitivamente valeu muito a pena ler e assistir.

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