Entrevista com Thaís Hern, porta-voz da nova geração otaku e VK no Brasil

Entre a cultura afro-brasileira, a cultura pop e a música japonesa, existe um caminho marcado por criatividade, representatividade e, sobretudo, pela vontade de abrir espaços. Thaís Hern, publicitária, roteirista e comunicadora que transforma suas paixões pela a cultura pop em trabalho, projetos e novas possibilidades de diálogo.

Nesta entrevista, conversamos sobre sua trajetória profissional, o primeiro contato com a música japonesa, a construção do Shock Visual, os desafios e as transformações do Visual Kei no Brasil, a importância da representatividade na cultura pop e suas expectativas para o futuro da cena. Entre memórias, projetos e reflexões, ela também revela o que a mantém em movimento: a troca com o público e a certeza de que, quando diferentes pessoas se unem para construir algo, uma cena pode deixar de ser apenas um nicho e ganhar novos caminhos.


Você faz parte de diversos projetos, seja nos universos de anime e HQ, cultura afro e música japonesa. Pode nos contar um pouco sobre você e sobre o seu trabalho?


Hoje eu sou publicitária e roteirista. Todos os caminhos profissionais que eu segui começaram a partir do meu consumo da cultura pop, principalmente por animes, mangás, tokusatsu e cultura nerd no geral, eu sempre consumi muito quadrinhos de super-heróis… então tudo que eu faço hoje está de alguma forma ligado a isso ou o que me permitiu crescer como profissional está ligado a isso. Hoje eu trabalho para a publicidade, trabalho para uma agência criativa, mas eu também tenho a minha própria agência criativa onde eu atendo músicos e criadores de conteúdo mais voltados para essas áreas alternativas: músicos de rock, rádios de rock, histórias em quadrinhos, (…) criadores de mangás independentes, (…) criadores, artistas, independentes no geral – é o que eu atendo no meu hub criativo, mas eu também faço trabalhos com empresas que não têm nada a ver comigo.

Muitas vezes eu tenho sorte de conseguir relacionar o meu trabalho, minhas experiências e as coisas que eu gosto com a minha profissão. Ser uma pessoa que gosta de animes, quadrinhos, cultura no geral, não só de cultura japonesa, eu gosto muito da cultura global, me permitiu ser uma pessoa ainda mais criativa por não olhar as coisas pela barreira do idioma ou pelas barreiras geográficas. Eu faço muitas coisas no meu trabalho, não sei como definir exatamente o que eu faço, mas faço muitas coisas para muitas pessoas em muitos projetos e tudo ao mesmo tempo.


Quando foi seu primeiro contato com a música japonesa?

Existe o contato na infância, como eu disse, eu já assistia tokusatsu desde muito novinha com o meu pai e logo em seguida os animes. (…) Eu já consumia, de alguma forma, a música japonesa ou traduções de música japonesa, de alguma maneira elas estavam presentes na minha vida.

Mas o meu primeiro contato consciente sobre música japonesa foi no ensino médio, quando uma amiga gravou um CD-R pra mim com videoclipes e falou “Você vai gostar disso aqui“. E aí tinha Malice Mizer, Miyavi, L’Arc~en~Ciel e desde então tem mais de 20 anos que eu continuo ouvindo as mesmas coisas e descobrindo coisas novas pra me interessar.


Quando você começou a trabalhar nesse universo da cultura pop? Há quanto tempo trabalha na internet?

Quando eu penso na minha vida, acho que eu sempre trabalhei com cultura pop. Eu estava sempre envolvida em algum tipo de projeto relacionada com algum tipo de banda ou evento. Acho que os primeiros passos aconteceram quando, ainda muito novinha, eu tinha acabado de entrar na faculdade de moda, sempre gostei de desenhar, de mexer com cabelo. Venho de uma família muito envolvida com salão de beleza, então eu ajudava as bandas de Visual Kei do Rio de Janeiro, fazendo cabelo, maquiagem e figurino para eles. Fazia mais como um hobby, em ajudar os amigos e participar, de ver a coisa acontecer, porque eu sempre gostei muito de ver a coisa acontecer.

E aí, eu entrei no K-pop em algum momento da minha vida, entre 2007 e 2008, e com o K-pop a coisa começou a virar trabalho onde eu comecei a ser paga pra fazer as coisas, não só na época em que eu tinha um grupo cover, eu comecei a coordenar áreas relacionadas a K-pop em eventos. Eu trabalhei realmente como coordenadora e como produtora de áreas de K-pop em vários eventos do Rio de Janeiro, entre o final dos anos 2000 e início dos anos 2010. Acho que tem uns mais de 16 anos que eu trabalho com cultura pop, no sentido de trabalhar e ser paga pra fazer as coisas. Já fiz de tudo, já apresentei eventos, já coordenei concursos, áreas voltadas pra K-pop e concurso de cosplay.

Trabalhar com a internet veio mais ou menos nessa época, porque eu descobri que eu poderia divulgar esses trabalhos e organizar melhor essas coisas utilizando a internet. Então eu comecei a fazer sites publicações pras redes sociais para o grupo cover (de Kpop) que eu tinha na época, inclusive foram os meus primeiros passos com marketing digital, que é o meu principal trabalho hoje dentro da publicidade, foi fazendo isso para o grupo de K-pop que eu fazia parte, para os eventos que eu trabalhava como produtora ou como coordenadora, eu fazia toda essa organização utilizando ferramentas das redes sociais.

Tinha experiencia em fazer blog, fazia para mim, para bandas, fanblog para as bandas mais desconhecidas e flopadas do Visual Kei. E isso me deu a experiência para começar a criar sites: como publicar e o que publicar. Isso me construiu como profissional, como disse antes, tudo o que eu consumia de música, de quadrinhos, de animes e de mangás, me levou a ser uma profissional de publicidade e roteirista. Acho que mais ou menos na mesma época que virou trabalho com cultura pop, virou trabalho com internet também, e isso já faz uns 17 anos, antes mesmo de existir o termo social media ou marketing digital, eu já estava fazendo isso e é o que eu faço até hoje.


Você atualmente apresenta o programa Shock Visual na rádio Antena Zero. Como aconteceu o convite?

Foi muito doido, eu acho que era destino esse programa acontecer da forma como aconteceu. Eu sempre gostei de rádio, na adolescência eu vivia fugindo da escola, eu matava aula pra ir em biblioteca ou ficar dentro da Rádio Cidade, que é uma rádio rock que existiu no Rio de Janeiro, que aqui em São Paulo era o equivalente a 89FM. E eu ficava na Rádio Cidade, (…) ficava vendo os programas acontecerem, sempre gostei muito de rádio, ver como acontecia.

Eu também tive uma web-rádio para tocar rock japonês, daqueles site que você fazia de forma gratuita. Às vezes tinha um ou dois ouvintes, que eram os meus amigos, e eu ficava lá tocando as músicas que eu gostava de rock japonês. Inclusive, eu lembrei disso um outro dia, eu já tinha tido um programa, não tinha ouvinte, mas eu já tinha tido um programa de visual kei há “milênios atrás”, início da internet, como sempre, eu “futrucava” muito na internet pra descobrir como fazer coisas. Se não me convidavam pra fazer, eu criava o meu momento, eu criava o meu espaço. Sempre foi assim.

Na Antena Zero, eu faço parte de um grupo coletivo chamado AfroNerd. O AfroNerd tem um programa na Rádio Antena Zero que eu participo às vezes, que é o AZHQ, pra falar de cultura nerd, de quadrinhos, eu geralmente apareço lá pra falar de animes e mangás, apesar de não ser só isso que eu curto. Um dia, eu estava em casa pensando, “Nossa, eu teria um programa de rádio pra falar de música”. E nessa mesma semana, eu fui na rádio e alguém me confundiu com uma apresentadora de programa da rádio, falei “Eu não apresento programa, mas se eu tivesse um programa, seria um programa assim…“, explicando. Eu sempre tive projetos também relacionados à música. A Black Parade foi um projeto que eu criei em 2016 pra falar de rock feito por pessoas pretas, eu sempre tive esse recorte racial e social pra falar de sobre esses conteúdos. E falei que eu teria um programa para ser uma extensão da Black Parade, ou eu teria um programa sobre Visual Kei, sobre de Jrock. E aí, perguntaram “Me conte mais sobre esse negócio de Jrock e Visual Kei“. Como uma boa publicitária criativa que eu sou, preparei um deck, preparei uma apresentação, um PPT. Falei, “Olha, isso aqui é o Visual Kei, isso aqui foi o Visual Kei no Brasil em X período, mas estamos voltando“, fui explicando e eles adoraram.

E o Shock Visual tá aí há meses no ar, conseguindo o seu espaço e sendo mais um lugar onde a gente pode falar sobre as coisas que a gente ama, e apresentar coisas novas, trocar ideias, apresentar pra novas pessoas também, fomentar a cena. Porque eu sou totalmente contra o gatekeeping, gente. Eu acho que a gente tem que divulgar mesmo, porque senão as coisas morrem, né? Se as pessoas deixam de curtir, se o público não se renova, as coisas desaparecem. E eu já vi o Visual Kei desaparecer no Brasil uma vez. Então, eu fico muito entusiasmada em fazer coisas novas, em fazer parcerias novas, em fazer com que as coisas aconteçam, em estar sempre disposta a ajudar quem tiver dúvida, quem quiser ajuda… pode sempre falar comigo! Eu gosto de trocar essas figurinhas e fazer com que as coisas aconteçam, porque a gente só consegue fazer as coisas crescerem, evoluindo, se nós estivermos juntos, falando a mesma língua, no sentido figurado (risos), conversando, um ajudando o outro, numa parceria mesmo.


Qual sua parte favorita em trabalhar seus projetos?

A minha parte favorita, eu acho que é essa troca. Eu tenho várias partes favoritas, né? Mas essa troca com as pessoas, tipo, “Nossa, eu também curto isso“, “Eu me sinto representada pela sua presença“, porque a verdade é que a gente tem, dentro desses nichos, não só do visual kei e j-rock, mas do anime, do mangá, da cultura nerd em geral, da cultura pop, a gente tem uma presença muito forte de pessoas não-brancas, pessoas não-héteros, pessoas trans, etc… mas qual espaço é dado para essas pessoas? O quão a gente se vê como pessoa fora do padrão, o quanto a gente se vê representada nesses espaços? É quase nulo. Eu trabalhei em evento durante anos, e a primeira oportunidade que surgiu de apresentar em um evento não vieram dos meus amigos ou com os quais eu trabalhei, veio de uma outra pessoa negra periférica, que falou assim “Você é uma boa comunicadora, eu quero você no palco”. Eu acho que falta muito para a gente ver uma diversidade de pessoas dentro desses espaços.

Não falo só como uma pessoa negra, falo como uma pessoa bissexual também, falo com uma pessoa que quer abrir espaço para outras pessoas, não só as que são iguais a mim, mas das que são diferentes também. A parte mais divertida, a parte mais legal para mim é quando eu vou num evento e meninas muito jovens me abordam, e elas, independente da cor ou da etnia, elas se sentem representadas por mim estando nesses espaço. É muito legal, porque eu não sou abordada pelas pessoas negras e dizem “Que legal ver uma pessoa negra aqui“, mas eu sou abordada por pessoas de várias idades, de vários tons de pele falando, “Nossa, me sinto representada por você“. E isso é muito legal, porque é normalizar a presença do diferente nesses espaços.

Me deixa muito realizada poder fazer isso, porque eu não tive essa mesma representação na minha época. Eram algumas pessoas em banda, principalmente do Rio de Janeiro, pessoas negras em bandas do Rio de Janeiro, em banda de anisong também, tinha uma cantora negra nessa mesma banda… Era pouco, no palco eu não via, em destaque, eu não via, era difícil. Hoje, ser a representação para os jovens ser o que eu não tive é muito importante, muito impactante para mim, sempre me emociona muito esse contato, essa troca, ver que a gente pode, daqui a alguns anos, enxergar uma coisa ainda melhor.


Qual foi o maior desafio que você passou trabalhando em seus projetos?

Acho que o meu maior desafio foi sempre descobrir esses espaços, entender como é que eu posso… o que é relevante? O que é relevância de verdade? Então, acho que não está em números, não está em viralizar, a relevância de verdade, ela está muito em abrir um caminho e ver um futuro mais interessante, fazer as coisas acontecerem, botar a mão na massa, fazer essas trocas, compartilhar e tal. Acho que eu sempre vejo como um desafio, é um constante desafio descobrir como é que eu posso ser melhor, né? Não melhor que os outros, mas uma versão melhor de mim mesma dentro dos projetos que eu faço parte. Então, eu fico quebrando a cabeça, todo o programa é feito com muito carinho, feito com muita pesquisa, eu não quero cometer erros de informação, eu não quero ser leviana com o espaço que eu tenho.

É um constante trabalho de se rever, de autocrítica constante. Que às vezes falta para as pessoas, né? (risos) Dessa constante construção de si mesma, entender que a gente não sabe de tudo, mas que a gente pode estudar para saber cada vez mais. Então, acho que eu me desafio constantemente a ser uma versão melhor de mim mesma para poder compartilhar, para poder inspirar, para poder dormir bem e poder deitar no travesseiro e falar “Caramba, esse trabalho foi foda“, “Esse projeto foi muito maneiro“, “A gente está construindo algo muito legal de verdade, não é em vão esse tempo que é gasto“, porque dinheiro a gente não recebe na maioria dos projetos (risos). Mas receber essa paz de espírito, receber esse carinho, vale muito também!


Qual foi seu trabalho favorito até agora?

Escolher um trabalho favorito é muito, muito difícil. Eu acho que aconteceram muitas coisas legais na minha vida, eu emociono bastante, eu sou chorona, eu dou muita gargalhada, mas eu choro pra caramba. Mas eu acho que eu posso destacar aqui, já que a gente fala de música japonesa, eu acho que conseguir fazer uma parceria com a Waka, do Danger Gang, foi um momento muito legal, um momento de ciclo na minha vida, porque eu sempre fui muito fã do Danger Gang. Eu tinha fake no Orkut da Waka (risos), acho que foi o meu primeiro fake. Eu sempre tive uma admiração muito grande por ela conseguir ter essa dualidade, digamos assim. Onde ela é fofa, e tem os frufrus, e o rosa, etc e tal… e aí bota pra fora um puta de vozeirão! E eu sempre admirei muito ela nesse sentido, porque essa é uma imagem, um aspecto que eu também queria transmitir. Eu gosto muito de personas e personagens que consigam transitar entre sua força e sutileza, e existe a força na sutileza também.

Conseguir fazer essa parceria com a Waka, que pra muitos pode ter sido pouca coisa, mas foi muito legal, muito, muito legal mesmo. E poder trocar ideia com ela, trocar ideia com o manager dela, e ela saber que existe aqui um programa no Brasil falando sobre isso, foi muito legal. Então, acho que foi um dos meus favoritos. “Um dos” porque tem muitos momentos muito especiais até agora, e acho que vão vir momentos ainda mais especiais no futuro também.


Você imaginava que o cenário da música japonesa, especialmente o Visual Kei, teria essa proporção que vemos atualmente?

Não, eu não me imaginava, não me imaginava mesmo! Durante a pandemia, eu fiz uma live com o Irie da Allumina, Persona, Marsara, Matine Café, 300 mil bandas (risos)… Eu fiz uma live com ele falando sobre Visual Kei. Constantemente eu voltava a falar sobre Visual Kei nas minhas redes sociais. Constantemente não, de tempos em tempos eu voltava a falar de Visual Kei nas minhas redes sociais, sem muita fé de que as pessoas iriam corresponder àquilo de alguma forma. E, em algum momento, houve uma mudança de chave em que as pessoas responderam muito aquilo, porque elas também sentiam falta de pessoas falando sobre Visual Kei, de conversar sobre Visual Kei com outras pessoas, que era a mesma falta que eu sentia na minha casa. Eu falava “Caramba, ninguém vai conversar sobre Visual Kei?!“. E aí, eu falei “assim, “Ok, vou falar com a internet sozinha (risos). Se flopar, flopou, tudo bem. O Instagram não me dá dinheiro, não tem retorno financeiro com o Instagram. Eu tô fazendo conteúdo que eu gosto“. E aí, houve um retorno, não financeiro, mas um retorno das pessoas se identificarem com aquilo querendo também alguém para conversar sobre Visual Kei. E hoje, meu perfil, praticamente, é tomado por Visual Kei e J-Rock porque, se eu falo sobre qualquer outra coisa, eu flopo (risos).

Foi uma surpresa muito grande para mim isso estar acontecendo, de ver as pessoas quererem me ouvir também. Toda vez que alguém me pede para falar sobre um assunto, eu fico, “Caramba, alguém quer me ouvir“. É uma constante surpresa para mim. Toda vez que tem um anúncio, eu fico, “Cara… Que momento nós estamos vivendo?” E foi completamente inesperado.


Quais suas expectativas do cenário Visual Kei no Brasil nos próximos 5 anos?

Eu tenho dois lados de expectativas relacionadas ao Visual Kei no Brasil, um é como fã, eu fico com uma expectativa muito grande de que as coisas evoluam, de que as coisas se tornem mais comuns, da gente ver mais bandas Visual Kei, bandas de J-Rock em festivais de música no Brasil sendo vistas representadas e comentadas pela mídia que cobre eventos alternativos no Brasil, que seja visto como outras bandas de gêneros musicais diversos, (…) que seja tratado como as bandas de hardcore. como as bandas de metal, sabe? Que seja visto dessa forma, que seja comum a gente falar sobre bandas japonesas e bandas brasileiras (que tem inspiração em bandas japonesas), seja comum a gente falar sobre isso. Então como fã eh eu eu tenho essa expectativa.

Como profissional eu tenho preocupações porque eu acho que muitas vezes o foco do cenário Visual Kei no Brasil ele está no lugar errado, isso tanto por parte do público quanto por parte de profissionais ou de pessoas que organizam, que trabalham ou de alguma forma que se dedicam a isso. Eu acho que as criam situações que muitas vezes minam o crescimento do cenário, onde é um cenário tão pequeno, que é o “nicho do nicho dentro do nicho” no Brasil, que se a gente não se organizar pra pra ser mais ético pra ser, mais parceiro (…) se a gente ficar numa ideia de gatekeeping musical, a coisa não vai ir pra frente, não vai evoluir! Porque nesse momento que é onde está, não vou dizer num “embrião”…. mas eu acho que é um embrião ainda em comparação com outros movimentos e cenas no Brasil, é um embrião (risos), esse momento que a gente ainda está vendo o feto da cena Visual Kei no Brasil, se a gente não trabalhar de uma maneira mais profissional, não tratar as coisas de uma maneira melhor, não fizer um movimento que seja em prol do Visual Kei, não em prol do próprio umbigo, a cena morre e desaparece mais uma vez porque foi isso que eu assisti no passado e eu tenho medo que isso aconteça no presente também. Rola algumas tretas tretas geracionais que não são necessárias (…) Eu acho que a gente tem que ter um cuidado melhor se há a intenção né? Porque cada um tem a sua intenção também, seus desejos… meu desejo é que cresça e evolua, que a gente tenha cursos e universidades brasileiras estudando o Visual Kei, não só estética mas a abordagem filosófica e social do Visual Kei. Tenho esse desejo de ver isso acontecer, como acredito que exista no Chile, por exemplo. Mas pra isso, algumas movimentações terão que ser feitas por parte do público e por parte de quem trabalha com isso também, parte de quem encabeça a cena,. As minhas expectativas é que a gente tenha uma cena mais madura no futuro, no final das contas.


Para finalizar nossa entrevista, o que mais te orgulha em seu trabalho com a cultura pop?


Como eu respondi na outra pergunta, eu acho que essa troca de ser alguém que possa inspirar outras pessoas a também criar, se comunicar, de também encontrar sua voz, isso é, para mim, o mais legal, porque, como eu disse, eu não tive essa essa representação nos eventos e nos trabalhos que eu fiz, no que eu consumia, eu não tinha essas figuras que eu podia olhar e falar “Caramba, essa pessoa me representa, essa pessoa que eu quero ser“. Eu tive que construir a minha imagem a partir de diversas coisas e descobrir quem eu sou. Hoje, entender que outras pessoas, muitos jovens e, às vezes, não tão jovens, às vezes, até mais velhas do que eu, falam “Você é uma inspiração para mim”,Você é uma inspiração para minha filha, minha filha adorar de conhecer porque gente vai a evento e não tem pessoas negras no palco“, “Caramba, uma pessoa negra no palco”. Tudo isso é muito importante e me deixa muito orgulhosa de não ser só uma figura que possa ser observada, uma figura com quem essas pessoas se sentem seguras para trocar ideia, para me chamar para conversar, para a gente se aconselhar, né? Porque, no final dos contas, também não sei de tudo. Me orgulho de não saber de tudo, me orgulho de ser muito curiosa e de querer pesquisar, de querer descobrir sempre e de estar sempre aberta para conversar.

Essas trocas é o que me deixa mais orgulhosa, como eu trabalho na cultura pop, desde as apresentações de eventos diversos, como a PerifaCon, como a CCXP, essa troca com o público, estar nos shows e ter essa troca com as pessoas também. Então, acho que é isso que me deixa mais orgulhosa nesse trabalho.


Aniversário de 1 Ano do Shock Visual

Para comemorar o 1º ano do programa Shock Visual da AntenaZero, haverá um evento especial no dia 19 de setembro, no Reza a Lenda, em São Paulo. A festa contará com as bandas Matina Café e HIGAN. Garanta seu ingresso na Sympla!


Agradecemos muito a Thaís Hern por nos ceder essa entrevista! Você pode acompanhar o trabalho dela nas redes sociais.


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